Entre o sonho e a realidade

O futuro nada mais é que sonhos, projetos, esperanças que só serão possíveis se o hoje assim decidir. Nada mais temos neste mundo senão o exatamente agora. Rodrigues de Andrade

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terça-feira, setembro 19, 2006

Doce Milagre


O dia chora. Agonizo
Com ele meu doce amor.
Nem a sombra dum sorriso,
Na Natureza diviso,
A dar-lhe vida e frescor!

A triste bruma, pesada,
Parece, detrás da serra
Fina renda, esfarrapada,
De Malines, desdobrada
Em mil voltas pela terra!

(O dia parece um réu.
Bate a chuva nas vidraças.)

As avezitas, coitadas,
‘Squeceram hoje o cantar.
As flores pendem, fanadas
Nas finas hastes, cansadas
De tanto e tanto chorar…

O dia parece um réu.
Bate a chuva nas vidraças.
É tudo um imenso véu.
Nem a terra nem o céu
Se distingue. Mas tu passas…

E o sol doirado aparece.
O dia é uma gargalhada.
A Natureza endoidece
A cantar. Tudo enternece
A minh’alma angustiada!

Rasgam-se todos os véus
As flores abrem, sorrindo.
Pois se eu vejo os olhos teus
A fitarem-se nos meus,
Não há de tudo ser lindo?!

Se eles são prodigiosos
Esses teus olhos suaves!
Basta fitá-los, mimosos,
Em dias assim chuvosos,
Para ouvir cantar as aves!

A Natureza, zangada,
Não quer os dias risonhos?…
Tu passas… e uma alvorada
Pra mim abre perfumada,
Enche-me o peito de sonhos!

Florbela Espanca - O Livro D’Ele

terça-feira, setembro 12, 2006

Se dê uma chance...


Quando a tristeza toma conta, quando chega sem aviso,
e nos tira da frente dos olhos o que de mais belo
temos para ver,
e nos rouba os sentimentos e os sorrisos...

Neste momento é chegada a hora de sentar um pouco...
Sentar em um dos tantos espaços da vida, quietinho,
e muito lentamente,
trilhar o caminho ao início da mágoa,
à fonte da tristeza.
E chegando nela,
observar muito atentamente,
sentir com toda intensidade,
conhecer realmente e encarar de frente
a razão desta mágoa.

E a partir deste momento projetar a saída para a VIDA,
para a PAZ novamente.
Porque lá chegando, no centro desta tristeza,
você terá sempre caminhos à escolher.

Você pode escolher permanecer neste espaço de infelicidade, sentir sua vida se esgotando,
e carregar com você pessoas que ama, que te amam,
e precisam de sua ajuda AINDA E SEMPRE.

E passará o resto de sua vida com uma lágrima nos olhos
e uma grande e pesada porta vedando seu coração.
Mas você pode perceber que existe um
caminho mais difícil de iniciar,
mas muito mais fácil de percorrer...

Você pode tentar se erguer e dar o primeiro
passo para a PAZ.
Porque sua tristeza pode ser imensa,
mas com certeza você tem por perto uma,
talvez até pequena, fonte de felicidade.

Se dê uma chance e se entregue à esta pequena alegria, deixe que um amigo se aproxime de você,
receba o beijo carinhoso de alguém que precisa te amar,
e aceite caminhar de mãos dadas,
ainda que por pouco tempo.
E se além de imensa, sua tristeza é irreparável,
sem chance alguma de sair de uma vez de sua vida,
mesmo assim, não desista.
Guarde em seu coração o sentimento que
esta tristeza cria em você. Não fuja disto.
ENFRENTE ISSO!!

Você vai então perceber, que teu coração é imenso...
como é grande este nosso coração!!!
Porque mesmo com aquela tão nossa conhecida tristeza ocupando nele seu espaço, ainda assim,
existe outro espaço infinito, e quantos e quantos momentos de felicidade podem ainda ser aninhados dentro dele.
E, apesar de serem "momentos" de felicidade,
de não serem eternos,
a lembrança desta felicidade permanecerá
eternamente contigo.

Valorize cada uma destas lembranças.
Logo nos seus primeiros passos em direção à um amigo,
você com certeza vai receber um sorriso.

GUARDE CONTIGO!!
Você quem sabe, receberá um olhar afetuoso,
um afago no rosto, um cheiro de flor,
um carinho de criança...
Guarde tudo isto em seu coração!!
Cada pedacinho de felicidade lhe dá força
e coragem para mais um passo.

Porque a VIDA é assim...
ou você se deixa escorregar fácil e displicentemente
pelas tristezas, ou você constrói a cada dia e a cada minuto,
o SEU espaço quente e aconchegante de

FELICIDADE!!

(Autor Desconhecido )

sexta-feira, setembro 08, 2006

Itinerário simples de sua ausência


Hoje não vieste ao parque.

Poderia pôr-me a recolher do solo
a luz desorientada e sem objeto
que caiu em teu banco.

Para que vou falar
se não está teu silêncio.
Para que hei de olhar sem tua olhada.

E este relógio do coração que espera
golpeando
e doendo.

Esta noite de lua e tu distante.

Necessito a meu lado tuas perguntas.
E te encontrar no ar como brasa,
como uma chama doce,
como silêncio e regaço,
como noite e repouso, como quando
guiávamos a nossa lua até a casa.

Que buquê de rosas esquecidas.
Que tíbia pluma e mansa luz
teu corpo como uma árvore,
como uma árvore gritando
com tanto poro aberto, com tanto sangue
em ondas doces elevando-se.
Oh, sagrada torrente do naufrágio.
Como amaria me perder

Isaac Felipe Azofeifa