Entre o sonho e a realidade

O futuro nada mais é que sonhos, projetos, esperanças que só serão possíveis se o hoje assim decidir. Nada mais temos neste mundo senão o exatamente agora. Rodrigues de Andrade

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quinta-feira, outubro 19, 2006

Rosas vermelhas


Rosas vermelhas eram as suas favoritas. Seu nome também era Rosa. Todos os anos, no Dia dos Namorados, seu marido as enviava, atadas com lindos enfeites.

O cartão sempre dizia:

"Eu te amo mais neste ano do que no ano passado. Meu amor por você sempre aumentará com o passar dos anos."

No ano em que ele morreu, as rosas foram entregues em sua porta, do mesmo jeito.

O cartão dizia:

"Seja minha namorada, como nos anos anteriores."

Ela sabia que aquela seria a última vez que as rosas apareceriam, pois ele tinha morrido e ela pensava:

"Ele encomendou as rosas adiantado. Meu amado marido não sabia que ele iria..."

Ele sempre gostou de preparar as coisas com antecedência, pois, se estivesse muito ocupado, tudo funcionaria perfeitamente.

Ela ajeitou as flores, colocou-as num vaso especial, e depois colocou o vaso ao lado do retrato sorridente dele. Sentou-se por horas na cadeira favorita dele enquanto olhava sua fotografia e as rosas.

Um ano havia passado, e tinha sido difícil viver sem seu companheiro. Em solidão e isolamento havia sido transformado seu destino.

E então, na mesma hora de sempre, como no Dia dos Namorados anterior, a campainha tocou, e lá estavam as rosas, esperando em sua porta.

Ela levou-as para dentro e as olhou chocada. Pensava por que alguém faria isso com ela, causando-lhe tanta dor!

Seus dedos tremiam, enquanto avançava devagar para pegar o cartão e leu a mensagem.

"Oi, meu amor, eu sei que faz um ano que eu me fui e espero que não tenha sido tão ruim para você superá-lo.

Eu sei que deve estar solitária e que a dor é grande, mas, se fosse diferente, eu sei como eu me sentiria.

O amor que nós tivemos fez a minha vida ser maravilhosa. Eu amei você mais do que as palavras podem dizer, você foi a esposa perfeita. Você foi amiga e amante e me deu tudo o que precisei.

Eu sei, isto foi há apenas um ano, mas por favor tente não ficar triste. Eu quero que você seja feliz, mesmo quando banhada em lágrimas.

Por isso é que as rosas serão enviadas durante anos... Quando você recebê-las, pense na felicidade que tivemos juntos, e como fomos abençoados.

Eu sempre amei você e sei que sempre vou amá-la. Mas, meu amor, você tem que continuar, você ainda está viva.

Por favor, tente achar a felicidade, enquanto vive o resto dos seus dias. Eu sei que não é fácil, mas eu espero que ache algum modo.

As rosas irão todos os anos, e só irão parar quando sua porta não mais atender. O entregador irá cinco vezes nesse dia, caso você tenha saído, mas, depois da última visita, quando ele não tiver mais dúvidas, ele levará as rosas ao lugar onde eu o instruí, e colocará as rosas onde nós estaremos juntos novamente."

Algumas vezes na vida você encontra alguém especial.

Alguém que muda sua vida apenas fazendo parte dela.

Alguém que faz você rir sem parar.

Alguém que faz você acreditar que existe algo bom no mundo.

Alguém que convence você que existe realmente uma porta, apenas esperando para ser aberta por você.

Autor Desconhecido

terça-feira, outubro 17, 2006

...


"Tem coisas que acontecem na vida da gente que não
tem explicação perdemos a chance de amar e sermos
amados por medo, por "estar longe", por
achar que as diferenças vão atrapalhar, ou a
idade, mas esquecemos que um amor perdido
jamais nos voltará e que a pior
coisa no mundo é viver sem um amor."

Adriana Porto Murari

terça-feira, outubro 10, 2006

Afinidade


Não é o mais brilhante,
mas é o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos.
Não importa o tempo, a ausência,
os adiantamentos, a distância, as impossibilidades.

Quando há AFINIDADE,
qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa,
o afeto, no exato ponto
de onde foi interrompido.

AFINIDADE é não haver
tempo mediante a vida.
É a vitória do adivinhado sobre o real,
do subjetivo sobre o objetivo,
do permanente sobre o passageiro,
do básico sobre o superficial.

Ter AFINIDADE é muito raro,
mas quando ela existe,
não precisa de códigos
verbais para se manifestar.
Ela existia antes do conhecimento,
irradia durante e permanece depois que as
pessoas deixam de estar juntas.

AFINIDADE é ficar longe,
pensando parecido a
respeito dos mesmos fatos que
impressionam, comovem, sensibilizam.

AFINIDADE é receber o que vem
de dentro com uma aceitação
anterior ao entendimento.

AFINIDADE é sentir com...
Nem sentir contra, sem sentir para...
Sentir com e não ter necessidade de
explicação do que está sentindo.
É olhar e perceber.

AFINIDADE é um sentimento singular,
discreto e independente.
Pode existir a quilômetros de distância,
mas é adivinhado na maneira de falar,
de escrever,
de andar,
de respirar.....

AFINIDADE é retomar a relação
no tempo em que parou.
Porque ele (tempo) e
ela (separação) nunca existiram.
Foi apenas a oportunidade dada (tirada)
pelo tempo para que a maturação
pudesse ocorrer e que cada
pessoa pudesse ser cada vez mais.

Artur da Távola

terça-feira, outubro 03, 2006

Primavera


A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

Cecília Meireles