.::♡ SEUS OLHOS ♡::.

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, de vivo luzir,
Estrelas incertas, que as águas dormentes do mar vão ferir;
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, têm meiga expressão,
Mais doce que a brisa, - mais doce que o nauta de noite cantando, - mais doce que a flauta quebrando a solidão.
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, de vivo luzir, são meigos infantes, gentis, engraçados brincando a sorrir.
São meigos infantes, brincando, saltando em jogo infantil, inquietos, travessos, - causando tormento, com beijos nos pagam a dor de um momento, com modo gentil.
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, assim é que são;
Às vezes luzindo, serenos, tranqüilos, às vezes vulcão!
Às vezes, oh! sim, derramam tão fraco, tão frouxo brilhar,
Que a mim me parece que o ar lhes falece, e os olhos tão meigos, que o pranto umedece
Me fazem chorar.
Assim lindo infante, que dorme tranqüilo, desperta a chorar; E mudo e sisudo, cismando mil coisas, não pensa a pensar.
Nas almas tão puras da virgem, do infante, às vezes do céu cai doce harmonia duma Harpa celeste, um vago desejo; e a mente se veste de pranto co'um véu.
Quer sejam saudades, quer sejam desejos da pátria melhor;
Eu amo seus olhos que choram em causa dum pranto sem dor.
Eu amo seus olhos tão negros, tão puros, de vivo fulgor;
Seus olhos que exprimem tão doce harmonia, que falam de amores com tanta poesia,
Com tanto pudor.
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros, assim é que são;
Eu amo esses olhos que falam de amores com tanta paixão.
Gonçalves Dias





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