Entre o sonho e a realidade

O futuro nada mais é que sonhos, projetos, esperanças que só serão possíveis se o hoje assim decidir. Nada mais temos neste mundo senão o exatamente agora. Rodrigues de Andrade

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domingo, janeiro 07, 2007

Marionete


Se por um instante Deus se esquecesse de que sou uma marionete de
trapo, e me presenteasse um pedaço de vida, possivelmente não diria tudo o que penso, mas definitivamente pensaria tudo o que digo.

Daria valor às coisas, não pelo que valem, senão pelo que
significam. Dormiria pouco e sonharia mais, entendo que por cada
minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz.

Andaria quando os demais se detêm, despertaria quando os
demais dormem, escutaria enquanto os demais falan, e como
desfrutaria de um bom sorvete de chocolate...

Se Deus me obsequiasse um pedaço de vida, me vestiria com simplicidade, me atiraria de bruços ao sol, deixando descoberto, não somente meu corpo, mas também minha alma. Deus meu, se eu tivesse um coração....
Escriveria meu ódio sobre o gelo, e esperaria que saísse o sol.

Pintaria com un sonho de Van Gogh sobre as estrelas um poema
de Benedetti, e uma canção de Serrat seria a serenata que
ofereceria à lua. Regaria con minhas lágrimas as rosas,
para sentir a dor de seus espinhos,e o encarnado beijo de suas pétalas...

Deus meu, se eu tivesse um pedaço de vida... Não deixaria passar um só
dia sem dizer à gente que quero, que a quiero. Convenceria a
cada mulher e homem de que são meus favoritos e viveria enamorado
do amor.

Aos homens provaria quão equivocados estão ao pensar que
deixam de enamorar-se quando envelhecem, sem saber que envelhecem
quando deixan de se enamorar. A uma criança daria asas, mas deixaria
que ela aprendesse a voar sozinha. Aos velhos, a meus velhos, ensinaria que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento.

Tantas coisas aprendi de vocês, homens..... Aprendi que o mundo todo quer viver no alto da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpa. Aprendi que quando um recém-nascido aperta com seu pequeno punho pela primeira vez o dedo de seu pai, o tem amarrado para sempre.

Aprendi que um homem unicamente tem direito de olhar
outro homem de cima para baixo, quando o tiver ajudado a se levantar.

São tantas coisas as que pude aprender de vocês, mas
finalmente de muitoo não haverão de servir porque quando me
guardem dentro desta maleta, infelizmente estaria morrendo....

De autor anônimo - Atribuído a García Márquez